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Muitas das grandes empresa digitais que conhecemos hoje precisaram de dinheiro externo em alguma fase do seu processo de crescimento. Assim foi com a Apple, Google, Facebook, Instagram e tantas outras. Para tirar do papel uma ideia e fazer com que a mesma chegue até o IPO (Initial Public Offering), muitos empreendedores iniciaram pedindo ajuda financeira para amigos, familiares ou para os fools (Tolos). E é sobre esta trajetória que este post irá abordar.

A revista renomada Inc, conhecida por sua lista Inc 500, listou em uma matéria intitulada The 15 Most Valuable Startups in the Word, as 15 Startups mais valiosas do Mundo. Entre as destacadas, podemos perceber a presença de alguns players bem conhecidos: Uber, Airbnb, Dropbox, Snapchat e Spotify. Somando o total de investimento destas startups, chega-se ao montante de mais de 3 bilhões de dólares, onde só o Uber corresponde a quase 50% desse valor.

Em todo o mundo rodadas de investimentos são fechadas para acelerar startups que estão tanto em estágio early como em growth. Como prova desta nova caminhada em busca do ouro digital, um relatório chamado The Global Startup Ecosystem Ranking 2015 aponta que o investimento total de capital de risco entre os 20 maiores ecossistemas de Startup do mundo aumentou 95% entre 2013 e 2014. Os que obtiveram o maior crescimento foram Bangalore (4x), Boston (3,7x), Amsterdam (2x) e Seattle (2x).

O Brasil, onde São Paulo é considerado o décimo segundo ecossistema mais desenvolvido, está na mesma “viber” da crescente onda de investimento que ronda as startups. Como exemplo vimos a startup quintoandar.com receber um aporte de 7 milhões de dólares para reinventar o mercado imobiliário brasileiro. Outro exemplo é a startup passeidireto.com, a mesma já levantou em 3 rodadas de investimento cerca de R$ 23 milhões. Fechando esse parágrafo nada mesmo como Nubank, a startup fechou uma parceria com a Goldman (Grupo financeiro multinacional) no valor de R$ 200 milhões, onde a maior parte deste dinheiro será utilizado para financiar o portfólio de recebíveis de clientes.

O mercado de investimentos em startups está aquecido e podemos identificar algo em comum entre as startups acima citadas. Ambas estão subindo os degraus da escada de investimentos de uma startup. Cassio Spina em seu livro Investidor Anjo – Como conseguir investidores para seu negócio, comenta:

“Na indústria do capital de investimentos, a escada do crescimento das empresas consiste dos diversos estágios por meio dos quais se desenvolve até chegar ao topo da cadeia, ou seja, ao lançamento de suas ações no mercado público, o chamado Initial Public Offering ou, simplesmente, IPO”.

e completa:

“Paralelamente a esse crescimento, para cada degrau atingido, existe um tipo de investimento adequado a contribuir para que a empresa dê o próximo passo”.

Spina aborda a escada do crescimento como um plano cartesiano, onde o eixo Y é o Investimento e o eixo X é representado pelas vendas:

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Família

Este também chamado de 3 Fs – Founders, Family and Friends ou Family, Friends and Fools – possui as seguintes características:

  • Aqueles que investem na ideia, estão investindo mais pela relação pessoal com o empreendedor do que pelo negócio. É uma ajuda pessoal, também conhecido como Love Money.
  • É obtido quando o empreendedor tem apenas uma ideia e precisa de recursos para passar a mesma para o papel.
  • São investimentos baixos, que variam de R$ 5 mil a R$ 50 mil.
  • Não possui valor agregado, ou seja, o empreendedor irá trabalhar sozinho, sem o apoio de visão de negócio daqueles que investiram.
  • Baixo nível de exigência por prestação de contas.

Investidor-anjo

Neste degrau o empreendedor depara-se com um nível maior de exigências e compromissos. Caracteriza-se como:

  • Além do investimento em dinheiro, o investidor-anjo dará ao empreendedor apoio com o conhecimento adquirido em sua jornada. Chamado também de smart-money.
  • Nesta etapa, diferente da etapa dos 3 Fs, é avaliado tanto o potencial do negócio, como a capacidade do empreendedor.
  • Exige a prestação de contas como pelo retorno do investimento com boa rentabilidade.
  • Um investidor-anjo aporta entre R$ 100 mil e R$ 400 mil sozinho.
  • Em conjunto, pode chegar a R$ 1,5 milhão. Um exemplo disso é a Anjos do Brasil.
  • A concretização do investimento pode levar de dois a seis meses.
  • Exige participação no negócio, que chega em média a 20%.

Fundo semente (Seed-capital)

Foi através deste degrau que a BikeeLive conseguiu um aporte por meio de um edital da FAPEMA (Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão). Esta etapa é caracterizada por ser burocrática (CNPJ) e também pelos seguintes pontos:

  • São gerenciados por um administrador que utilizam recursos de terceiros, que podem ser órgãos ou agências governamentais.
  • Aqui também é avaliado tanto o negócio como o empreendedor e sua equipe.
  • Não agregam valor ao negócio, por serem fundos administrados.
  • Exige uma participação no negócio geralmente menor que a de um investidor-anjo.
  • Podem, sozinhas, chegar a investir em um projeto o valor de até R$ 2 milhões.
  • Costumam trabalhar em parceria com investidores-anjo.

Outros exemplos desta categoria são: Seed (MG) e BNDES.

Venture capital

Os degraus anteriores caracterizam-se por abordar as startups que estão em estágio inicial, ou early stage. Já ao momento que uma empresa começa a faturar, a mesma atinge o próximo nível, o growth stage, ou o de crescimento. Este degrau possui as seguintes características:

  • A startup já está, ou espera-se que esteja faturando.
  • É a etapa da aceleração, com a presença dos venture capitalists (VC).
  • Foco nas empresas que já tenham modelo de negócio comprovado.
  • Etapa onde a participação do Empreendedor já está bem diluída.

Alguns exemplos de fundos de Venture Capital: Andreessen Horowitz, Sequoia Capital e Kleiner Perkins Caufield & Byers.

Private equity

Este degrau é voltado para grandes empresas. É semelhante ao venture capital e caracteriza-se através dos seguintes pontos:

  • São focados em investir em operações de fusões e vendas de grandes empresas.
  • Buscam empresas de capital aberto ou prestes a abrir seu capital.

IPO (Initial Public Offering)

Este é o topo da escada. Empresas que chegaram a este degrau são consideradas bem sucedidas, e para que continuem crescendo devem captar mais dinheiro. Para chegar até aqui o empreendedor subiu todos os degraus que já foram citados e para compensar o trabalho duro, estes costumam vender uma grande porcentagem de ações para fazer milhões no dia do IPO. Alguns pontos sobre esta etapa:

  • Exige uma grande quantidade de trabalho e que pode distrair os líderes da empresa de seus negócios.
  • Deve-se contratar um banco de investimento para auxiliar no processo de IPO.
  • As empresas públicas costumam enfrentar regulamentos muito mais intensos da Comissão de Valores Mobiliários e dos acionistas.
  • É um processo que pode apresentar volatilidade. Na abertura o preço das ações podem disparar, mas também podem despencar depois de alguns dias.
  • Pode durar até um ano e custar mais de R$ 2 milhões em taxas, honorários e despesas.

Pois bem, a caminhada de uma startup é longa para chegar ao nível de um Facebook da vida. Caso você esteja procurando investimento, estude cada degrau, busque por mais informação, pois o sucesso ou fracasso em cada etapa vai depender muito da maturidade da empresa, do nível de disposição e visão do empreendedor.

 

Fonte: http://www.fernandopontes.com.br/a-escada-de-investimento-de-uma-startup/