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A miragem da inovação

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O economista Joseph Schumpeter (1883-1950), um dos pioneiros no estudo do empreendedorismo, dizia que empreendedor não é quem monta um negócio qualquer, igual a tantos outros existentes por aí, mas quem consegue criar um produto, um serviço ou um processo de produção que seja realmente inovador e provoque uma ruptura com o padrão existente. “A função dos empreendedores é mudar ou revolucionar o modelo de produção pela exploração de uma invenção ou mais comumente de uma possibilidade tecnológica ainda não experimentada, para produzir um velho produto de uma nova maneira; pela descoberta de uma nova fonte de suprimento de materiais ou um novo mercado para produtos; pela reorganização de uma indústria e assim por diante”, afirmava Schumpeter.
Pelo conceito de Schumpeter, adotado até hoje pelos grandes estudiosos do empreendorismo no mundo, o Brasil seria praticamente um deserto de empreendedores. A esmagadora maioria dos empreendedores do País não produz qualquer inovação em seus negócios. Apenas adapta, com ligeiras modificações, que não representam ruptura com o padrão em vigor, ideias já existentes no mercado. Segundo o Observatório do Empreendedorismo, produzido pela Endeavor Brasil, os empreendedores brasileiros tem a pior taxa de inovação do mundo, igual à de países como Trinidad e Tobago e Bangladesh. Apenas 11% dos empreendedores brasileiros que estão abrindo seus negócios dizem que o produto ou serviço que oferecem é novo para pelo menos uma parte dos consumidores.
De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o mais completo estudo sobre empreendedorismo no mundo, quase a metade dos empreendedores brasileiros montou seu negócio por necessidade e não por oportunidade. É natural que a preocupação com a inovação nesse segmento seja reduzida. Mas mesmo quem monta um negócio para explorar uma oportunidade de mercado quase não inova no Brasil. “O empreendedor brasileiro tem baixíssima ambição, não tem vontade de crescer e inova muito pouco”, diz Juliano Seabra, diretor geral da Endeavor. “Isso favorece o oceano de mediocridade geral, no sentido de que vai todo mundo pela média, mas, nenhuma empresa consegue crescer no Brasil se não tiver algum nível de inovação.”
A falta de empreendedores com foco na inovação acaba limitando o potencial de crescimento do País. Na visão do economista americano Edmund Phelps, prêmio Nobel de Economia de 2006, o Brasil só conseguirá dar uma salto no desenvolvimento se estimular a inovação. “Se o Brasil quiser chegar perto dos países desenvolvidos, tem de encorajar e receber bem a inovação”, afirma Phelps. Embora tenha feito tal afirmação há alguns anos, durante uma visita ao País, nada ou muito pouco mudou nesse quesito. “Se você não estimular a inovação, não vai gerar os empregos que seriam criados em empresas que desenvolvem e implementam a inovação. Também não vai ajudar a criar empregos nas empresas que fariam a publicidade das inovações. Nem promover o crescimento das empresas que podem treinar os empregados”.
Para reverter a situação, é preciso tornar o ambiente de negócios mais amigável. O prazo para obtenção de uma patente, que em outros países não passa de 3 ou 4 anos, não pode continuar a ser de dez anos ou mais. Há quem defenda também a volta do incentivo fiscal, que era usado de forma fraudulenta por muitas empresas para reduzir o imposto a pagar, com o objetivo de criar um estímulo para os empreendedores investirem em inovação. “Se as empresas não inovarem, não serão competitivas e cada vez vai piorar mais a situação”, diz o professor Tales Andreassi, coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vagas (FGV) de São Paulo. Também é fundamental resolver o eterno problema da aproximação dos centros de tecnologia e principalmente as universidades das empresas. “As universidades no Brasil, por uma questão ideológica, quiseram sempre se manter distante do mercado, para não confrontar a pureza de suas pesquisas”, afirma Guilherme Afif Domingos, presidente do Sebrae, a organização de apoio às micro e pequenas empresas. “Nos Estados Unidos, as startups oriundas de universidades são a marca do imenso progresso que eles tiveram em inovação.”
A baixa taxa de inovação dos empreendedores brasileiros se deve também a uma questão de fundo, cuja solução é de longuíssimo prazo – a educação. Falta senso de urgência para o País na área. Segundo Seabra, do Instituto Endeavor, o Brasil não vai conseguir ampliar o número de empresas inovadoras enquanto houver problema no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), no ensino médio e no superior. “A formação de gente qualificada para inovar não acontece em quantidade no Brasil”, diz. “O que faz uma empresa ser mais ou menos inovadora é educação, a qualidade do material humano que ela tem. A inovação vai acontecer na medida que a gente consiga juntar gente boa, ultraqualificada, e ter um ambiente de negócios mais simples”. Talvez, aí, a inovação deixe de ser uma eterna miragem.

Fonte: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,a-miragem-da-inovacao,10000090820

Claudio Brito

Claudio Brito é especializado em Marketing Digital pela Fecap-SP e em Dinâmica de Grupo pela SBDG, tem 19 anos de experiência e participou de treinamentos internacionais com mestres como Alexander Osterwalder, Steve Blank e Eric Ries. Foi selecionado pela Endeavor para o curso “Building a High Growth Business” em Babson, faculdade No. 1 em empreendedorismo nos EUA. No Brasil, participa ativamente do desenvolvimento do mercado inclusive organizando missões empresarias para o Vale do Silício onde apresenta empresas como Google, Apple e Evernotes. É facilitador do Empretec, palestrante e mentor de startups. Como empresário, mantém a Acelera Startups uma comunidade digital que já atingiu 20.000 empreendedores em 47 países.

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